Os primeiros meses de vida são decisivos para o desenvolvimento saudável de cães e gatos. Alimentação adequada, vacinação, vermifugação e acompanhamento veterinário estão entre os cuidados que ajudam a prevenir doenças e garantir melhor qualidade de vida aos animais ao longo dos anos. O tema foi abordado pela médica veterinária Letícia Cardoso durante o programa Vida de Pet, da Rádio Imbiara FM, na sexta-feira (5).
Segundo a especialista, os filhotes passam por um período de crescimento extremamente acelerado. Os recém-nascidos, chamados de neonatos, permanecem nessa fase até aproximadamente duas semanas de vida e dependem completamente dos cuidados maternos para alimentação, aquecimento e estímulos fisiológicos. Nesse período, eles ainda não conseguem regular adequadamente a temperatura corporal e necessitam de atenção constante.
A partir das primeiras semanas, cães e gatos começam a apresentar importantes mudanças no desenvolvimento. Entre elas estão a abertura dos olhos, o surgimento dos dentes, o desenvolvimento da audição e o início da alimentação sólida. De acordo com Letícia, toda essa evolução acontece em um intervalo relativamente curto quando comparado ao desenvolvimento humano.
Após a fase neonatal, os animais passam a ser classificados como filhotes, condição que se estende até aproximadamente um ano de idade. É nesse período que ocorre a formação completa do sistema imunológico, do esqueleto, dos rins e das capacidades neurológicas e cognitivas.
Alimentação influencia diretamente no crescimento
A nutrição foi apontada como um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento saudável dos pets. Letícia explicou que os filhotes possuem necessidades nutricionais diferentes das dos animais adultos e, por isso, devem receber alimentação específica para a idade.
Segundo ela, as rações formuladas para filhotes possuem maior concentração de proteínas e nutrientes necessários para o crescimento adequado dos ossos, músculos e sistema imunológico. A orientação é manter esse tipo de alimentação até aproximadamente um ano de vida nos cães e gatos.
A veterinária também alertou que a escolha da ração deve levar em consideração a qualidade nutricional do produto, já que nem sempre as classificações comerciais apresentadas nas embalagens refletem as reais necessidades dos animais.
Além da ração, alguns alimentos naturais podem ser oferecidos de forma complementar e com moderação. Entre os exemplos citados estão banana, maçã, melão, cenoura, chuchu e batata cozida. No entanto, a recomendação é que esses alimentos sejam preparados sem sal, óleo ou temperos.
Por outro lado, frutas como uva, carambola e abacate devem ser evitadas devido ao risco de intoxicação e complicações à saúde dos pets.
Vacinação e vermifugação devem começar cedo
Outro ponto destacado durante o programa foi a importância da medicina preventiva. De acordo com Letícia, a vermifugação pode ser iniciada a partir das duas semanas de vida, enquanto os protocolos vacinais normalmente começam entre 45 e 60 dias de idade.
A profissional ressaltou que o acompanhamento veterinário é fundamental para definir o cronograma mais adequado para cada animal e identificar precocemente possíveis problemas de saúde.
Durante a entrevista, ela chamou atenção para a cinomose, doença viral que afeta principalmente cães e apresenta elevado índice de mortalidade. A enfermidade pode ser prevenida por meio da vacinação, reforçando a importância de manter o calendário vacinal atualizado.
No caso dos gatos, a recomendação é que sejam realizados exames específicos antes da definição do protocolo vacinal, permitindo a identificação de doenças como a imunodeficiência felina (FIV) e a leucemia felina (FeLV).
Primeira consulta ajuda a identificar problemas precocemente
Independentemente de o animal ter sido adotado, resgatado ou adquirido em criadouros, a orientação é procurar atendimento veterinário o quanto antes. A primeira avaliação permite verificar o estado geral de saúde do filhote, acompanhar o desenvolvimento e estabelecer os cuidados necessários para cada fase da vida.
Segundo Letícia, esse acompanhamento é especialmente importante nos casos de animais resgatados, já que muitas vezes não há informações sobre a mãe, a alimentação recebida ou possíveis doenças às quais o filhote tenha sido exposto.
Castração exige avaliação individual
A veterinária também abordou as recomendações atuais sobre castração. Conforme explicou, estudos recentes têm levado os profissionais a considerar fatores como porte, raça e características individuais antes de definir o momento ideal para o procedimento.
Em alguns casos, a orientação pode ser aguardar o primeiro cio das fêmeas ou um período maior de desenvolvimento dos machos. A decisão deve ser tomada em conjunto com o médico veterinário, levando em consideração os benefícios e as necessidades específicas de cada animal.
Cuidados refletem na saúde durante toda a vida
Durante a entrevista, Letícia destacou que a infância dos pets é uma das fases mais importantes para a prevenção de doenças e para a formação de uma vida saudável. Alimentação equilibrada, vacinação, vermifugação e acompanhamento profissional contribuem para que cães e gatos tenham melhor desenvolvimento e maior expectativa de vida.