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05/08/2026 - Operação contra grupo que induzia adolescentes ao suicídio alcança Minas e outros quatro estados

Cumprimento de mandados durante operação 'Lívia' — Foto: Reprodução/PF

Uma força-tarefa das polícias civis de cinco estados cumpriu, nesta terça-feira (4), mandados contra uma organização criminosa suspeita de aliciar crianças e adolescentes pela internet e induzi-los à automutilação, maus-tratos a animais e ao suicídio. A Operação Lívia foi coordenada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e teve ações em Minas Gerais, Ceará, Pará, Rio de Janeiro e no próprio Mato Grosso do Sul.

Durante a operação, um homem de 18 anos foi preso e cinco adolescentes, com idades entre 13 e 17 anos, foram apreendidos. As investigações apontam que o grupo utilizava comunidades virtuais para exercer pressão psicológica sobre as vítimas, incentivando desafios de violência extrema, automutilação e, em alguns casos, o suicídio.

A investigação começou após a morte de uma adolescente de 13 anos, identificada como Lívia, que tirou a própria vida no dia 22 de julho, em Naviraí (MS). Segundo a polícia, o ato foi transmitido ao vivo em um grupo de uma rede social durante cerca de 45 minutos. Antes disso, a jovem teria sido coagida pelos criminosos a torturar e matar um gato, mas não chegou a cumprir essa exigência.

De acordo com as investigações, o principal suspeito de liderar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Outro investigado é um estudante seminarista ligado a um mosteiro em Pernambuco.

Ainda conforme a polícia, os criminosos chegaram a criar uma chave Pix em nome da adolescente, sem o conhecimento da família, e enviavam dinheiro para que ela comprasse objetos utilizados em práticas de automutilação.

Todo o material apreendido durante a operação será periciado para identificar outros possíveis integrantes da organização e localizar novas vítimas.

Plataformas digitais são alvo de questionamentos

O secretário Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Victor Fernandes, afirmou que as plataformas onde ocorreram as transmissões podem ter descumprido normas previstas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, no Marco Civil da Internet e na legislação de proteção no ambiente digital.

Segundo ele, as empresas não interromperam a transmissão ao vivo, não removeram imediatamente o conteúdo e não comunicaram o caso às autoridades competentes.

Outra tragédia foi evitada

Durante as investigações, a polícia identificou outra possível vítima do grupo em outro estado e conseguiu impedir uma nova tentativa de suicídio, que também seria transmitida pela internet.

As autoridades informaram que seguem analisando os dados obtidos na operação para identificar outras vítimas e alertar pais e responsáveis sobre os riscos da atuação desses grupos criminosos em ambientes virtuais.