O período de estiagem tem provocado aumento nas ocorrências de incêndios em vegetação em Minas Gerais. Nos primeiros 11 dias de agosto, o Estado registrou cerca de 1.429 ocorrências, segundo dados apresentados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). O número representa uma média de aproximadamente 129 incêndios por dia.
Em Araxá, o cenário também exige atenção, especialmente em áreas de vegetação dentro do perímetro urbano. O alerta foi reforçado pelo tenente Ricardo Gonçalves, do Corpo de Bombeiros, durante entrevista concedida à Rádio Imbiara nesta quinta-feira (20), durante a Unidade Móvel, diretamente da sede da corporação na cidade.
Estiagem aumenta risco de propagação
Segundo o militar, as chuvas registradas fora do período habitual durante junho e julho contribuíram para manter a vegetação mais úmida e reduzir temporariamente a ocorrência de incêndios. Com a ausência de chuvas em agosto, entretanto, o material vegetal ficou mais seco e passou a apresentar maior facilidade para a propagação das chamas. “As chuvas fora de época, que ocorreram em junho e julho, favoreceram que a vegetação ficasse mais úmida e que não ocorressem tantos incêndios em vegetação. Ao contrário do que a gente vê agora no mês de agosto, que não temos chuvas e os incêndios em vegetação dispararam”, explicou o tenente.
Dados de estudos publicados pelo próprio CBMMG mostram que os incêndios em vegetação estão entre os atendimentos mais frequentes realizados pela corporação. Em 2023, foram 17.127 ocorrências desse tipo em Minas Gerais, sendo 13.555 concentradas entre abril e setembro, período que inclui os meses tradicionalmente mais secos. (Intranet Bombeiros MG)
Áreas verdes urbanas são ponto de atenção
Em Araxá, um dos problemas apontados pelo Corpo de Bombeiros está relacionado aos incêndios em lotes vagos. A corporação desenvolve ações preventivas, como a Operação Alerta Verde, que busca identificar terrenos com vegetação e orientar ou notificar proprietários para que sejam realizadas a limpeza e a capina.
A situação é diferente nas áreas verdes e de preservação ambiental existentes dentro da cidade. Como esses locais não podem ser simplesmente submetidos à limpeza da mesma maneira que terrenos particulares, a presença de grande quantidade de material vegetal pode favorecer a propagação das chamas. “Nas áreas de preservação ambiental aqui dentro da cidade, as matinhas, não tem essa possibilidade de fazer a limpeza. Então é um gargalo porque geralmente são áreas maiores, têm mais concentração de material vegetal e, quando essa área pega fogo, ela tem suas limitações”, explicou Ricardo Gonçalves.
Além da dificuldade de acesso para as equipes, os incêndios nesses locais podem provocar grande quantidade de fumaça, fuligem e outros resíduos, afetando moradores próximos. A fauna também é impactada.
De acordo com o tenente, o fogo pode afugentar animais silvestres que vivem nessas áreas e levá-los para regiões urbanizadas. Entre os animais que podem acabar aparecendo em residências estão gambás, ouriços-cacheiros e serpentes.
Ação humana está entre as principais causas
Outro fator destacado pelo Corpo de Bombeiros é a participação humana na origem dos incêndios. Segundo o tenente, as ocorrências podem estar relacionadas tanto a atitudes intencionais quanto a situações provocadas por descuido, como o descarte de materiais ainda em combustão. “A grande maioria dos casos é de ação humana. Seja por desplicência, no caso de jogar uma bituca de cigarro acesa, ou até proposital, a pessoa ir lá e colocar fogo mesmo”, afirmou.
O militar também citou situações em que moradores colocam fogo para tentar eliminar lixo ou realizar uma suposta limpeza de terrenos. Em outros casos, segundo ele, não há uma finalidade específica para a queimada.
A preocupação com esse tipo de comportamento também aparece em estudos do CBMMG. Um levantamento da corporação aponta que os incêndios em lotes vagos representaram mais de 45% das ocorrências de incêndio em vegetação em determinados períodos analisados, reforçando a importância das ações preventivas e da manutenção adequada desses terrenos.
Orientação é evitar queimadas e acionar os Bombeiros
Diante do aumento das ocorrências durante a estiagem, a recomendação é evitar qualquer tipo de queimada e não descartar materiais que possam iniciar um incêndio em áreas de vegetação. A atenção deve ser redobrada durante períodos prolongados sem chuva, quando a vegetação seca facilita a propagação das chamas.
O Corpo de Bombeiros orienta que, ao identificar um incêndio, a população não tente combater o fogo por conta própria quando houver risco à segurança. A ocorrência deve ser comunicada à corporação pelo telefone 193, com informações sobre o local e o tipo de incêndio. “Precisando, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros, liga o 193. As nossas equipes vão triar para saber onde é o local, o que está pegando fogo e, sendo necessário, nós vamos lá atuar”, orientou o tenente.
O CBMMG mantém informações e ações relacionadas à prevenção e ao combate de incêndios florestais em seu portal oficial, onde também estão disponíveis conteúdos sobre a atuação da corporação no período de estiagem.