O possível avistamento de uma onça-parda nas proximidades do bairro Santa Rita, em Araxá, chamou a atenção dos moradores nesta semana. O animal foi registrado no estacionamento do SENAI durante a madrugada de terça-feira (25), por um segurança da unidade. As imagens circularam nas redes sociais e levaram à mobilização de órgãos responsáveis pelo atendimento a ocorrências envolvendo animais silvestres.
Após o registro, o SENAI Araxá informou que entrou imediatamente em contato com os órgãos competentes para comunicar o caso e receber orientações sobre as medidas necessárias. Foram acionados o setor de Meio Ambiente da Prefeitura de Araxá, a Polícia Militar de Meio Ambiente e o Corpo de Bombeiros. A instituição também buscou informações sobre o acionamento do Ibama, mas a unidade de referência para a região está localizada em Uberlândia.
O SENAI informou ainda que acompanha a situação e seguirá as orientações das autoridades, priorizando a segurança de alunos, colaboradores e demais pessoas que frequentam a unidade. A instituição também ressaltou que existe uma área de reserva ambiental próxima à escola, o que pode favorecer a circulação eventual de animais silvestres pela região.
A equipe da Rádio Imbiara esteve na Companhia do Corpo de Bombeiros em Araxá nesta quarta-feira (26) e conversou com o sargento Pagliaro sobre o possível avistamento e sobre a presença de animais silvestres em áreas urbanas.
Aproximação de animais silvestres
Segundo o sargento Pagliaro, a proximidade entre áreas urbanizadas e ambientes naturais é um dos fatores que contribuem para que animais silvestres circulem nas proximidades das cidades. Ele explicou que o aparecimento de um animal em determinado ponto não significa necessariamente que ele permanecerá naquela região, já que essas espécies conseguem percorrer grandes distâncias.
Ao explicar esse comportamento, o militar destacou justamente a capacidade de deslocamento dos animais. "Esses animais têm uma capacidade muito grande de deslocamento", afirmou.
A movimentação tende a ser maior durante a noite, período em que há menos circulação de pessoas e em que muitos animais saem em busca de alimento e água. O momento de estiagem também pode contribuir para esse deslocamento, já que a redução da disponibilidade de água em ambientes naturais pode fazer com que áreas urbanas se tornem pontos de passagem.
A situação, segundo o Corpo de Bombeiros, não se limita à possível presença de uma onça-parda. Gambás, tamanduás-bandeira, cobras e outras espécies também podem ser encontrados em áreas urbanas, especialmente em regiões próximas a áreas de vegetação e preservação ambiental.
Nesse sentido, Pagliaro reforçou que o possível avistamento da onça deve ser compreendido dentro de um cenário mais amplo de circulação da fauna silvestre próximo às cidades. "Não se trata apenas desse possível avistamento de uma onça-parda, mas também, no geral, de vários outros possíveis animais que nós temos a presença deles aqui na cidade", afirmou.
Orientação é manter distância
Em casos de avistamento de animais silvestres, principalmente espécies de médio ou grande porte, a recomendação é não tentar capturar, cercar ou espantar o animal. Atitudes como jogar objetos, gritar ou avançar em direção à espécie podem fazer com que ela se sinta ameaçada e reaja para se defender.
Outro cuidado destacado pelo Corpo de Bombeiros é evitar a aproximação para fazer fotos ou vídeos. A tentativa de conseguir uma imagem mais próxima pode colocar a pessoa em uma situação de risco, principalmente quando não há certeza sobre a espécie ou sobre o comportamento do animal.
O sargento chamou atenção para esse tipo de comportamento e explicou que a busca por uma boa imagem não deve se sobrepor à segurança. "Tem pessoas que tentam, às vezes, pegar o melhor ângulo ou até aproximar desse animal para tentar filmar. Então, a principal dica seria não fazer isso, não tomar essas decisões", orientou.
A recomendação, portanto, é procurar um local seguro, manter distância e evitar qualquer ação que possa provocar ou encurralar o animal. Se houver risco para pessoas ou se o animal estiver em uma situação que exija atendimento, o Corpo de Bombeiros deve ser acionado pelo telefone 193.
Ao orientar os moradores sobre como proceder, Pagliaro reforçou que a primeira preocupação deve ser preservar a própria integridade e deixar a avaliação da ocorrência para profissionais capacitados. "Primeiramente, é cuidar da sua segurança, então tome uma distância segura e, com certeza, entre em contato com o Corpo de Bombeiros", destacou.
Durante o atendimento, os profissionais podem fazer uma triagem das informações fornecidas pelo solicitante e avaliar quais recursos são necessários para a ocorrência. Por isso, características do animal, localização exata e direção em que ele foi visto podem ajudar na avaliação, desde que essas informações sejam obtidas sem que a pessoa se aproxime.
Possível deslocamento pela região
O Corpo de Bombeiros também reforça que o fato de um animal ter sido registrado em determinado ponto não significa que ele continuará nas proximidades. A capacidade de deslocamento de espécies silvestres é grande e, especialmente durante a noite, elas podem percorrer diferentes áreas em busca de alimento e água.
No caso do possível avistamento registrado no SENAI, a instituição informou que permanece acompanhando a situação e está preparada para adotar novas medidas caso sejam recomendadas pelas autoridades competentes.
A presença de uma área de reserva ambiental próxima à unidade também é apontada pelo SENAI como um fator que pode favorecer a circulação eventual de animais silvestres na região. Por isso, a orientação para quem vive ou circula nas proximidades é de atenção, mas sem tentar localizar, perseguir ou provocar o animal.
Em qualquer novo avistamento, a prioridade deve ser preservar a própria segurança e evitar interferências. O acionamento do Corpo de Bombeiros pelo 193 permite que a situação seja avaliada por profissionais capacitados, sem colocar moradores, trabalhadores ou o próprio animal em risco.