As redes sociais podem ser utilizadas como ferramentas de comunicação e até como canais para buscar ajuda em momentos de dificuldade, mas o uso excessivo também pode contribuir para o distanciamento das relações presenciais. O alerta foi feito pelo médico João Sacramento durante entrevista à Rádio Imbiara.
Segundo o especialista, o ambiente virtual pode criar uma percepção distorcida da realidade, já que muitas pessoas compartilham principalmente momentos positivos de suas vidas. Essa exposição pode levar outros usuários a comparar a própria realidade com imagens que representam apenas uma parte da vida de outra pessoa.
Sacramento destacou que a vida cotidiana também é marcada por tristeza, angústia, dificuldades e momentos de solidão, mesmo entre pessoas que aparentam estar sempre felizes nas redes sociais.
O médico ressaltou ainda que as plataformas podem ser utilizadas para estabelecer contatos e oferecer algum tipo de apoio. No entanto, ele recomenda cuidado com o uso excessivo, principalmente quando as redes passam a ocupar muitas horas do dia e acabam substituindo relações presenciais.
Entre adolescentes, a preocupação é ainda maior. Além da comparação e da cobrança social, existem ambientes virtuais nos quais podem ocorrer situações de violência psicológica, bullying e estímulo a comportamentos de risco.
Para o especialista, os pais não conseguirão necessariamente acompanhar tudo o que os filhos fazem na internet, principalmente diante do surgimento constante de novas plataformas. Por isso, a atenção deve estar também no comportamento do adolescente.
Mudanças na rotina, isolamento, alteração nos horários de sono, permanência excessiva nas redes e outras modificações no comportamento podem ajudar a identificar que algo não está bem.
João Sacramento defende que os familiares mantenham um canal de diálogo aberto e mostrem aos adolescentes que eles podem falar também sobre situações difíceis, constrangedoras ou que provoquem sofrimento.
Para o médico, mais importante do que tentar controlar todo o ambiente virtual é manter proximidade com o jovem e perceber as mudanças que acontecem no comportamento e na vida cotidiana.