O aumento das temperaturas e a ocorrência de chuvas e tempestades exigem atenção redobrada da população para evitar acidentes. Em entrevista ao programa Imbiara Notícias, da Rádio Imbiara 91,5 FM, o sargento Cristiano Cardoso Pereira, do Corpo de Bombeiros, falou sobre os principais riscos relacionados a afogamentos e às condições climáticas adversas.
Segundo o militar, os casos de afogamento ocorrem com maior frequência em ambientes como lagos, rios e cachoeiras, especialmente em períodos de calor, quando aumenta a procura por esses locais. Entre os fatores que elevam o risco está o consumo de bebidas alcoólicas antes da entrada na água. “Se bebeu, não entre na água”, orientou o sargento. Ele também destacou que saber nadar não elimina o risco de acidentes, principalmente quando a pessoa entra na água após ingerir álcool ou em locais com correnteza e outras condições desconhecidas.
Cuidados com alimentação e crianças
Outro cuidado citado pelo Corpo de Bombeiros está relacionado à alimentação antes de entrar na água. De acordo com Cristiano, não existe um intervalo único que possa ser aplicado a todas as situações, já que isso depende do tipo e da quantidade de alimento ingerido. Ainda assim, a recomendação é aguardar algum tempo antes de voltar à atividade.
O principal alerta, porém, envolve as crianças. Mesmo em pequenas quantidades, a água em baldes, recipientes e outros objetos pode representar risco de afogamento. A recomendação é manter esses recipientes fora do alcance e nunca deixar uma criança sozinha perto da água. “Mesmo que a criança saiba nadar, 100% do tempo o pai, a mãe ou um adulto responsável tem que estar de olho”, afirmou o sargento. Ele explicou que crianças pequenas podem ter dificuldade para se levantar caso caiam de cabeça na água, aumentando o risco de afogamento.
Dados do Ministério da Saúde reforçam a importância da prevenção. Um boletim epidemiológico publicado em 2025 aponta que, entre 2010 e 2023, foram registrados 13.486 óbitos por afogamento entre crianças e adolescentes de 0 a 14 anos no Brasil. No período, 43% das mortes nessa faixa etária ocorreram em águas naturais.
O próprio Ministério da Saúde disponibiliza informações e orientações de prevenção sobre o tema em sua página sobre prevenção de afogamentos.
Enxurradas podem oferecer risco mesmo com pouca água
Durante a entrevista, o sargento também chamou atenção para os perigos associados às chuvas fortes. Um dos principais riscos está nas enxurradas, que podem ganhar força rapidamente e arrastar pessoas e veículos. “A água na altura da canela já é perigosa, já pode te arrastar e te levar para um lugar que você nem sabe para onde está indo”, alertou Cristiano. A orientação é não tentar atravessar áreas alagadas ou trechos onde haja correnteza.
Além da chuva, ventos fortes podem provocar a queda ou o deslocamento de telhas, placas, galhos e outros objetos. Por isso, durante uma tempestade, a recomendação é procurar um local com estrutura sólida e evitar permanecer em áreas externas.
Raios: evitar árvores e áreas abertas
Os raios também exigem cuidados específicos. O Corpo de Bombeiros orienta que, durante tempestades, a população procure abrigo em uma construção segura e evite árvores, especialmente as isoladas, além de campos, quadras e outros espaços abertos.
A recomendação é semelhante à divulgada por órgãos de Defesa Civil: durante tempestades com raios e ventos fortes, deve-se procurar um local seguro, evitar árvores, postes e estruturas metálicas e não permanecer em áreas abertas.
Para o sargento, os alertas meteorológicos também devem ser levados em consideração antes de sair de casa. “O que puder evitar de sair de casa com esse tempo, ainda mais com esses alertas de Defesa Civil de tempestade, é importante”, afirmou.
A orientação geral é que, diante de chuva intensa, ventos fortes e incidência de raios, a população priorize a própria segurança, evite deslocamentos desnecessários e procure abrigo adequado até que as condições melhorem.