A convivência com animais de estimação pode estar associada a uma menor ocorrência de sintomas de depressão entre pessoas mais velhas. É o que aponta um estudo brasileiro publicado em fevereiro deste ano na revista científica J.Mir, que analisou a relação entre a presença de pets e diferentes aspectos da saúde mental de idosos.
A pesquisa acompanhou 215 participantes com 59 anos ou mais. Desse total, 114 tinham animais de estimação e 101 não conviviam com pets. Na avaliação dos sintomas depressivos, a média foi de 2,33 pontos entre os donos de animais, contra 3 pontos entre aqueles que não tinham pets.
Segundo os pesquisadores, a diferença foi estatisticamente significativa, mas o efeito observado foi considerado pequeno. O estudo também não identificou diferenças significativas entre os grupos em relação à ansiedade, ao desempenho cognitivo ou à reserva cognitiva.
Os resultados, portanto, não permitem afirmar que ter um animal de estimação melhora, de forma geral, todos os aspectos relacionados à saúde mental na velhice. A pesquisa aponta uma associação entre a presença do animal e menos sintomas depressivos, mas não estabelece uma relação de causa e efeito.
Outro aspecto destacado pelos pesquisadores é que não seria apenas a presença do pet que poderia estar relacionada ao bem-estar. Atividades como brincar, cuidar, passear e manter uma rotina de interação com o animal também podem ter importância.
O estudo teve caráter transversal, ou seja, os participantes foram avaliados em um determinado período. Além disso, a maior parte deles foi recrutada na região Sul do Brasil. Por isso, os próprios autores defendem a realização de novas pesquisas, principalmente estudos que acompanhem as pessoas ao longo do tempo.
Apesar dos possíveis benefícios, a convivência com um animal também exige responsabilidade. Alimentação, cuidados veterinários, gastos e dedicação diária precisam ser considerados antes da decisão de ter um pet.
Durante o programa Vida de Pet, o apresentador Rogério Farah destacou a relação de companhia estabelecida entre os animais e seus tutores e lembrou que, para muitas pessoas, o pet acaba fazendo parte da família.
A pesquisa reforça, portanto, que a convivência com animais pode integrar uma rotina de companhia, movimento e interação social, mas deve ser avaliada de acordo com as condições e possibilidades de cada pessoa.